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A Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), entidade de representação nacional do transporte rodoviário internacional de cargas, entende como essencial que o início de 2026 seja marcado por clareza quanto ao cenário em que o setor se encontra e por um diálogo franco, técnico e responsável sobre os desafios estruturais que impactam diretamente a atividade dos transportadores.

Esse diálogo precisa partir do reconhecimento de que o sistema atualmente em operação apresenta desequilíbrios estruturais relevantes. Os principais corredores internacionais que conectam o Brasil à Argentina, ao Chile e ao Paraguai operam sob forte assimetria entre os fluxos de exportação e importação. Apenas na relação com a Argentina, o retorno de caminhões com carga representou só cerca de 26% da movimentação total até o início do último trimestre de 2025. Ao mesmo tempo em que as exportações por esses passos cresceram mais de 20% em relação a 2024, as importações avançaram apenas 6% no mesmo período.

O retorno de veículos vazios impõe custos operacionais expressivos (combustível, pedágios, manutenção, mão de obra, depreciação e capital imobilizado) que recaem integralmente sobre as empresas transportadoras, sem adequada remuneração pelo mercado.

Esse contexto se agrava diante da compressão contínua das tarifas no transporte rodoviário internacional, comprometendo a capacidade das empresas de investir em frota, tecnologia, segurança e qualificação operacional. No médio e longo prazo, a persistência desse cenário tende a reduzir a previsibilidade, a oferta de capacidade e a estabilidade da cadeia logística como um todo, impactando não apenas transportadores, mas também embarcadores e demais agentes envolvidos.

Reforma tributária e câmbio

O ano de 2025 também foi marcado por uma significativa desvalorização do dólar frente ao real, com queda de 11,2% de ponta a ponta. No dia 30 de dezembro, a moeda americana fechou em R$ 5,48, após ter superado os R$ 6,00 no início do ano. Os fatores político-econômicos internos e externos seguirão exercendo influência relevante sobre a taxa de câmbio em 2026, adicionando incertezas ao planejamento das operações internacionais.

Paralelamente, assoma-se o desafio de adaptação à reforma tributária. Embora o novo sistema esteja em fase de transição e testes em 2026, a alíquota de referência atualmente projetada em 28,05% para IBS e CBS sinaliza um potencial aumento da carga tributária, com reflexos diretos sobre as importações e o custo de insumos essenciais.

Apesar da importante conquista do setor que garantiu a isenção do transporte de cargas com finalidade de exportação, as operações de importação estarão sujeitas à incidência de IBS e CBS. Além disso, seguem as dúvidas acerca da documentação que amparará as operações internacionais devido a uma carência de regulamentação que abranja as particularidades do setor.

Nesta seara, transportadores ainda lidam com a reoneração da folha de pagamento, que vinha sendo postergada nos últimos anos, e marcou o início de um ciclo de aumento de encargos trabalhistas que segue até atingir o percentual de 20% em 2028.

Transparência de mercado e tarifas sustentáveis

Diante desse conjunto de desequilíbrios e incertezas, a ABTI reforça que as tarifas do transporte rodoviário internacional precisam refletir a viabilidade integral das operações, considerando os custos estruturais, os riscos envolvidos e a assimetria dos fluxos de carga. Tarifas sustentáveis são uma condição essencial para assegurar qualidade de serviço, segurança operacional e equilíbrio ao setor.

Para atingir isso, é indispensável a avaliação contínua das operações, das margens e das estruturas de custo, de modo a promover maior transparência nas relações comerciais. Dar visibilidade às dinâmicas reais do mercado contribui para relações mais equilibradas e para a sustentabilidade de longo prazo do transporte rodoviário internacional, objetivo que deve orientar as decisões e negociações ao longo de 2026

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O Governo brasileiro internalizou a Resolução nº 24/22 do Grupo Mercado Comum do Mercosul, que que autoriza a apresentação de documentos digitais para a circulação de veículos de turistas entre os países do bloco. A medida foi tomada pelo Decreto n° 12.781/2025, publicado no diário Oficial da União na sexta-feira (19/12).

A norma permite que documentos exigidos na fiscalização de carros particulares ou alugados sejam apresentados em formato digital, por meio de celulares ou outros dispositivos eletrônicos, desde que haja sistema eletrônico de verificação e acordo entre os países envolvidos.

Segundo o texto, a mudança busca agilizar os procedimentos de fiscalização e oferecer mais segurança, acompanhando o avanço do uso de meios eletrônicos nas fronteiras.

O Brasil era o único país que tinha a internalização desta norma pendente. Conforme o processo legal do Mercosul, para que uma Resolução vigore plenamente, ela deve ser incorporada às legislações dos países membros e a Secretaria do Mercosul deve ser informada sobre esse processo.

Devido a perspectiva de facilitação do trânsito no bloco, além dos benefícios para a digitalização e integração, a ABTI pediu que a ANTT demande agilidade ao Itamaraty na comunicação oficial da internalização à Secretaria do Mercosul.

Após a confirmação da incorporação e comunicação oficial, há um prazo de 30 dias para que a norma vigore.

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Os eventos técnicos de 2025 promovidos pela ABTI foram encerrados nesta quinta-feira (18/12) com a realização de um Webinar focado em apresentar de forma pratica o impacto da Reforma Tributária sobre a gestão empresarial das transportadoras e os pontos que merecem atenção já a partir de 2026. O evento virtual foi conduzido por Daniela Medeiros, contadora da Harpon Partners com mais de uma década de experiência em consultoria tributária para grandes empresas.

Daniela iniciou destacando a importância de um planejamento antecipado por mais que a regulamentação da Reforma ainda esteja em vias de desenvolvimento, principalmente para garantir a capacidade competitiva visto o alto número de grandes empresas que já iniciou a análise do tema.

Também voltou a apresentar um panorama que a o IVA dual irá trazer à matriz tributária nacional e a dinâmica de tributação no consumo (local de domicílio do cliente). Outras formas novas de recolhimento dos tributos previstas foram apresentadas, como o split payment, que ocorrerá no momento do pagamento pelo bem ou serviço.

Daniela ressaltou a mudança em relação ao fato gerador do transporte, que será o pagamento ou o fornecimento, o que ocorrer primeiro. Prestações iniciadas no exterior, por exemplo, terão como fato gerador o término do transporte.

A geração de crédito de IBS/CBS também foi abordada, assim como o impacto sobre o transportador autônomo (TAC), fonte de dúvidas entre os transportadores. Ela explicou que os autônomos serão classificados como não contribuintes de IBS e CBS, mas poderá optar por ser contribuinte para transferir créditos ao contratante. Em operações com TACs não contribuintes somente o crédito presumido poderá ser apropriado.

Para amparar a gestão, Daniela trouxe uma série de pontos de atenção, impactos positivos, negativos na contabilidade e especificamente sobre as transportadoras, além de um plano de ação com sugestões de medidas de curto, médio e longo prazo.

Como ainda falta clareza regulatória, conforme evidenciado pela própria palestrante, para os transportadores internacionais e as operações com os estrangeiros, a ABTI pretende realizar um novo evento, possivelmente presencial, em 2026, com a presença de Daniela para aprofundar as informações e ampliar a possibilidade de responder diretamente as dúvidas do público do transporte.

Acesse a apresentação de slides utilizada.

A gravação do Webinar está disponível em nosso canal de Youtube. Veja aqui.

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